segunda-feira, 23 de março de 2009

Improvável.

Às seis,  sete horas da noite. Todos os dias - ou quase sempre, me vê. Justo na hora em que eu não posso dar o melhor de mim. Fim de tarde, sono, moleza... Depois de ter ficado o dia inteiro na esbórnia ou ter realmente feito alguma coisa. Cansaço. Depois de eu ter fumado meio maço de cigarro e tomado, no mínimo, quatro xícaras de café. Com o cabelo despenteado e uma única vontade: dormir. 
Confesso que não sei porque diabos um dia te disse 'oi'. Acho que foi por conta do seu sorriso enorme, que de fato, me agrada. Também não sei explicar como me dei ao luxo de trocar mais que cinco minutos de conversa. Não faço isso, nunca.
E novamente, confesso que não sei porque diabos continuei a fazê-lo.
Rude, mau-humorado, blasé, homofóbico, porém, extremamente familiar.
Sei que te conheço, e muito. Não sei de onde, nem como. E por incrível que pareça, nos damos bem. 
Totalmente diferentes, mas com fatores em comum. Pode parecer piada, mas é assim que funciona.
Se irrita com a minha compulsão por Neosaldinas e cartelas de Dorflex. Detesta o fato de que eu sou calma, e às vezes, ouço Caetano. Me irrito com a sua teimosia. Detesto sua falta de paciência. E declaro que não me importo com a sua euforia desnecessária.
No entanto, é essa a graça. Sermos tão diferentes. E agora, que já passara algum tempo, o improvável aconteceu, e nós nos tornamos bons amigos. Daqueles que dizem 'eu te amo' sem perceber, mas com o maior valor do mundo. 

Para Bruno Begliomini.