segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Urbano.

É bom poder chegar em casa. Sentar no sofá e saber que o que há a sua volta, pertence à você. Ir na cozinha escura, abrir a geladeira em plena madrugada, dar de encontro com aquela luz forte que os olhos não aguentam e uma caixa de pizza vazia. Depois de um dia que só você sabe como foi, só você sabe o que viu, ninguém mais... Das paradas longas do metrô na estação da Sé, às 6h30 da manhã. Da discussão entre motoristas, cobradores e passageiros, num ônibus lotado que se estaciona no tráfego infernal da Avenida Tiradentes. Após aquele dia difícil, cansativo e desgastante - que por mais que seja assim, não há coisa melhor no mundo - chegar em casa. Aventurar-se com o caminho de volta, enfrentar o desafio de viver em uma grande metrópole, com todo esse caos e confusão, buzinas, fumaças, poluição visual e sonora.

Sentir zêlo, cuidado e paixão pela cidade onde vive. Falta, saudades quando está longe dela. Ter orgulho de dizer, que embora todos os contras, os prós desse lugar te fazem bem. Aprender a gostar do cheiro da desordem, andar em meio a bagunça, pedir bis. E se algum dia o desconforto bater, refuigiar-se ao calor do lar. O lar, que é o melhor lugar do mundo, e fica onde você escolheu. Que carrega com ele todos esses fragmentos de cidade que você trás todos os dias assim que abre a porta da sala. O reflexo do seu dia, da sua cidade, da sua vida.

O bom é sentir que a cidade te acolha, te deixe à vontade, faça seu papel de mãe e amiga quando você se sente sozinho. Que te mostre tudo o que há de bom, e te faça sentir orgulho de que o seu lar é ali. Saber que o melhor do seu mundo está presente, e poder falar de boca cheia: eu amo esse lugar.

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